A Swastika - Ideograma sem Redenção?
Caverna em Kharvai, Mumbai, India
Tal como o pentagrama, a swastika é um símbolo muito velho (para dizer a verdade não sei qual deles é mais velho), com uma historia ideográfica muito complicada e conturbada. Neste artigo vou tentar abordar a evolução histórico-religiosa, mas dada a sua complexidade, vou tentar ser o mais sucinto possível. Antes de mais, o ideograma pode levar os nomes de tetraskelion (grécia), crux gammata(forma latina), hakenkreutz, fylfot, swastika, sauwastika ou manji (no japão medieval).
Em primeiro lugar, mesmo as maiores referências sobre a história deste ideograma não estão de acordo sobre se uma swastika tem os braços virados para a direita ou para a esquerda. É geralmente aceite (mas nem sempre), que uma swastika normal tem os braços virados para a direita, enquanto que a sauwastika tem os braços virados para a esquerda. Para descomplicar isto, tanto a swastika, como a sauwastika aparecem aleatóreamente em contextos hindus e budistas ao longo de 5000 anos de história e sempre foi visto como um símbolo de Bem e de boa sorte. A origem do nome, vem das raizes sanskritas su (bem) e asti (estar, ser), junto com o sufixo de substantivo ka, e daí significar literalmente bem estar ou ser bom.
Templo Budista na Korea
Há pouco tempo, houve alguém que veio parar a este blog fazendo o search “ideograma sorte”, pois, a swastika é o ideograma que procura, significa boa sorte, vida longa e abençoada, mas talvez não o queira exibir em público, todos sabemos porquê.
Além da sua presença milenar na cultura hindu, o ideograma também aparece na Mesopotámia, especialmente na cultura Hitita e ao que parece, foi muito comum na Grécia por volta de 700 AC. Verdade seja dita, de toda a pesquisa que fiz, ninguém se entendia quanto ao significado do ideograma fora da Índia. Uns dizem que é um símbolo solar, de energia e que representa o deus sol, identificando-o com Zeus (Ludwig Müller), outros dizem (R.P.Greg) que era um símbolo estrito dos primeiros arianos, mas como eles não eram muito dados à adoração do sol, então seria um símbolo que representa o raio partido, a arma de Zeus. Mas o Conde Goblet d’Alviella diz que só viu o símbolo uma vez num altar a Jupiter, de modo que a swastika seria um simbolo antigo para um deus sol, mas não exclusivo de Jupiter.
Mosaico Romano
Na minha opinião, eu concordo com o Conde Goblet d’Alviella (não podia deixar de concordar com alguém que se chama Cálice), que não só diz que representa o sol, como seria um simbolo geral para decoração e amuleto de protecção. Além disso, d’Alviella avança a teoria de que certos símbolos são mutuamente exclusivos, ou seja, que não podem coexistir na mesma cultura e ao mesmo tempo (symbols.com), por isso, se a teoria dele tiver correcta, o disco alado, o círculo com estrela de quatro pontas e o círculo com cruz de quatro braços nunca podiam coexistir na mesma cultura com a swastika e ter o mesmo significado, porque todos são símbolos solares.
Compilando o caminho histórico de forma sucinta: A swastika estava difundida pela Índia, China, Japão, Irão, Turquia, Grécia e sul da Europa, muito antes de Cristo nascer. Com o aparecimento do cristianismo, o ideograma perdeu a popularidade, talvez por ser um símbolo pagão, e não apareceu nos povos nórdicos até muito mais tarde, por volta de 1000 AD. Há poucos registros dele na era medieval e mais recentemente, nos séc. XVIII e XIX AD, aparece em mapas cartográficos para indicar centrais eléctricas (talvez porque esteve sempre relacionado com o sol, energia e poder). Até à década de 1930’s esteve no logotipo da ASEA (agora ABB), fabricante sueco de máquinas. Também foi usado pela Carlsberg, embora removido para evitar associação com os nazis. No início do séc XX AD a swastika já era associada com alguns grupos anti-semitas na Alemanha e na Austria. Em 1920, o partido nazi admitiu uma swastika grossa e virada a 45º como o seu símbolo oficial. O symbols.com refere que a swastika pode representar uma espiral na sua forma mais básica e daí representar retorno e reencarnação, concluindo que o ideograma para os nazis tomava a forma de reencarnação nacional e poder supremo.
Finalmente, hoje, a utilização da swastika fora da India é vestigial. Continua a ser utilizado na Finlandia e é chamada de Cruz da Liberdade, representando a vitória dos agricultores e da classe média na guerra civil de 1918 contra os comunistas. Existem algumas pessoas (hindus e outros) preocupados com a associação da swastika e com o nazismo e com todas as atrocidades por eles cometidas. Alguns perguntam-se se será um ideograma sem redenção…
Para um estudo ainda mais aprofundado, mas vão já avisados que a análise é confusa, podem ver o scan do único livro sobrevivente de Thomas Wilson - The Swastika.



oi
Eu dei uma lida no livro do Thomas Wilson (não parece nome de ex-diretor da infraero?). Gostei do livro mas achei dois arquivos melhores de consultar, em uma página sobre literatura sobre os vikings (!!!!).
este são os links, e o pdf é muito bem acabado.
http://www.northvegr.org/lore/pdf/swastika001.pdf
http://www.northvegr.org/lore/pdf/swastika002.pdf
muito obrigado, são sem dúvida bem mais legíveis.